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A afirmativa de que os nossos presos não se regeneram no cárcere pode ser controversa, como controversa pode ser de quem seja a culpa desta contradição.
O sistema carcerário contemporâneo foi planejado não com um caráter punitivo, mas com o intuito da resocialização do individuo, cultivando uma semente, um pensamento voltado a um ajuste de comportamento, para uma vida cordial em sociedade.
Este Planejamento infelizmente não tem sido posto em prática, tendo em vista que os cárceres, trancados em pequenas celas, amontoados como animais, recebendo comida entre as grades e apenas podendo ver o sol poucas vezes por semana, acabam retornando a sociedade ainda mais deslocados.
Planejamento este que, diante das circunstâncias, deveria ser resolvido, antes de por exemplo ser reduzida a maioridade penal, prevendo-se que os jovens, submetidos ao sistema, sairiam com uma experiencia traumatizante, do que deveria ter sido uma vivência corretiva e que os agregasse valores.
Acerca do tema, hoje em dia o sistema carcerário sofre uma inadequação derivada das próprias exigências e expectativas da sociedade que, dinâmica em suas mudanças, acaba desajustando e não sendo acompanhada pelas pesadas engrenagens de transformação dos valores humanos.
Me posiciono contra a redução da maioridade Penal, se antes nao for feita uma reformulação no sistema carcerário, hj não se tem nem mais onde por os presos, imagine se tiverem q colocar ainda mais.... isso é investimento público, é pra lá que vai o seu dinheiro!!
Carlos Henrique Heineberg
Um comentário:
Quem deve ser punido?
Nosso país é marcado por uma grande parcela da população vivendo em condições desumanas e uma grande minoria assustada com o resultado da pobreza, convertido em brutalidade.
O capitalismo desestruturado é o grande vilão que faz milhares de vítimas da fome e da desigualdade. Este sórdido sistema socioeconômico faz conviver, diante da indiferença de quem tem maior poder aquisitivo, o acinte do maior luxo ao lado da mais gritante miséria.
A crise urbana resultante da industrialização e modernização da atividade agrícola excluiu uma grande parcela da população, atirando-a a margem do consumo e do acesso às necessidades básicas. E a sociedade se cala dentro de seus condomínios seguros, fecha os olhos para a saúde e a educação precária, à falta de infra-estrutura oferecida pelo Estado àqueles menos agraciados pela "sorte".
A "solução" mais cômoda parece ser aprisionar as vítimas desse fracasso, ao invés de converter o dinheiro investido nos sistemas carcerários em educação, lazer e oportunidade para os jovens de baixa renda.
O Brasil continua dividido como na época dos escravos e dos senhores de engenho, disfarçado por uma democracia econômica que permite mudança de classe social, mas não oferece o mínimo de dignidade a seus cidadãos, para que possam competir nessa contínua batalha por um lugar ao sol.
Diante de um cenário como esse, o que os milhares de jovens pobres espalhados pelo "país do carnaval e do futebol" podem esperar, além de um futuro sem perspectivas?
Vítimas da incompetência das autoridades do Estado, é na rua que aprendem a matar e a roubar para poder matar a fome. E é lá que são castigados por exercer o que a vida lhes ensinou desde a infância.
Assim é o Brasil, marginaliza, depois pune. Mas deixa escapar ilesos de qualquer repreensão, aqueles que nascem em meio ao luxo, e se corrompem com o dinheiro público. Os brasileiros que continuam tomando as grandes decisões no país, os homens que determinarão o futuro dos milhares de Adrianos, Josés, Marias, Lucianos, Joaquins...
Carina Carboni
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